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ALERTA / MUDANÇA MARCANTE NA TRIBUTAÇÃO BRASILEIRA: IMPOSTO RETIDO NA FONTE DE 10% SOBRE DIVIDENDOS
Em 2025, o governo brasileiro apresentou o Projeto de Lei 1087/2025 ao Congresso, propondo mudanças profundas no sistema de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) do país. Uma das disposições mais impactantes é a criação de um imposto retido na fonte de 10% sobre dividendos pagos por empresas a indivíduos residentes e a não-residentes (indivíduos ou entidades estrangeiras, independentemente do valor). Se aprovado, as novas regras entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2026.
10%
Nova Alíquota de Imposto Retido sobre Dividendos
BRL 50.000
Limite Mensal para Residentes
1º de jan. de 2026
Data Efetiva Esperada
Para indivíduos residentes, o imposto será aplicado quando uma empresa pagar mais de BRL 50.000 por mês em dividendos a um único acionista. Abaixo desse limite, as distribuições permanecem isentas, preservando o alívio para pequenos investidores e microempreendedores. Hoje, o Brasil opera com um sistema onde os dividendos são isentos em nível individual, sob o princípio de que os lucros já foram tributados em nível corporativo. O Projeto de Lei 1087/2025 introduz um "mecanismo de tributação mínima", garantindo que indivíduos de alta renda que recebem grandes quantias em dividendos contribuam mais para a base do imposto de renda pessoal.
Para não residentes (indivíduos ou entidades estrangeiras, independentemente do valor), o novo imposto retido na fonte de 10% sobre dividendos sem limite. (Os dividendos pagos a entidades jurídicas brasileiras (empresas) continuam isentos dessa retenção na fonte, preservando a neutralidade dentro das estruturas corporativas domésticas). Claro, dependendo do Tratado de Dupla Tributação e dos impostos aplicáveis no país da sede, isso terá – ou não – um impacto no Lucro Líquido do Grupo.
Para evitar a dupla tributação, a proposta inclui um "mecanismo de redução": se a carga combinada do imposto de renda corporativo (IRPJ + CSLL) mais o novo imposto sobre dividendos exceder um certo limite, um ajuste pode ser aplicado.
O projeto de lei não se limita a dividendos. Ele também:
Disposições Adicionais do Projeto de Lei
- Aumenta o limite de isenção para trabalhadores de baixa renda.
- Simplifica as faixas de imposto e amplia as deduções.
- Busca redistribuir a carga tributária, aliviando os contribuintes da classe média e transferindo mais contribuição para os de maior renda.
O que as Empresas e Investidores Devem Fazer?
- Revisar Políticas de Distribuição de Lucros: Empresas que costumam distribuir altos dividendos devem modelar o impacto da retenção de 10%.
- Considerar o Timing: Antecipar ou adiar pagamentos de dividendos pode se tornar parte das estratégias de planejamento tributário na transição para 2026.
- Atualizar Sistemas e Contratos: Sistemas de contabilidade, folha de pagamento e ERP devem estar preparados para reter e reportar o novo imposto.
O Projeto de Lei 1087/2025 marca um ponto de virada na abordagem do Brasil em relação à tributação da renda. Ao tributar dividendos acima de R$ 50.000 por mês a uma taxa de 10%, a proposta visa tornar o sistema mais progressivo e equitativo. Embora a controvérsia persista em torno de seus efeitos econômicos, uma coisa é clara: empresas, investidores e consultores devem começar a se preparar agora para uma das mudanças mais significativas na política tributária brasileira em décadas.
02
BOAS NOTÍCIAS: BRASIL DESISTE DO PLANO DE AUMENTAR A RETENÇÃO DE JCP DE 15% PARA 20% E DE AUMENTAR O IMPOSTO SOBRE GGR DE 12% PARA 18% PARA EMPRESAS DE APOSTAS
Em nosso boletim anterior, informamos sobre esses 2 aumentos nas retenções de impostos sobre JCP e GGR. Mas no Brasil, deve-se sempre esperar mudanças de última hora.
Expirado
Medida Provisória
Em uma reviravolta surpreendente, apenas algumas semanas antes do início planejado, o Congresso do Brasil interrompeu a implementação do novo imposto retido de 20% sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), que deveria entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026. A medida, originalmente parte da Medida Provisória nº 1.303/2025, teria aumentado a atual taxa de 15% aplicada aos pagamentos de JCP feitos aos acionistas.
A mudança foi projetada para alinhar a tributação do JCP com outras rendas passivas e simplificar o tratamento dos retornos financeiros sob a reforma tributária em andamento no Brasil. No entanto, como a medida não foi aprovada pelo Congresso antes do prazo legal no início de outubro, ela expirou automaticamente — o que significa que a atual taxa de retenção de 15% permanece em vigor indefinidamente.
A decisão traz alívio para as empresas que dependem do JCP como uma forma eficiente de tributar a remuneração do capital, particularmente em setores que demandam muito capital e entre subsidiárias de propriedade estrangeira que operam no Brasil. A expiração também preserva a estrutura atual, sob a qual o JCP continua sendo dedutível para fins de imposto de renda corporativo e sujeito a uma retenção fixa de 15% na fonte.
A mesma medida provisória que estava prevista para aumentar o imposto GGR do Brasil para operadores de jogos de 12% para 18% expirou em outubro junto com a reforma da retenção do JCP, portanto, o aumento proposto não entrará em vigor. O cancelamento significa que a taxa de 12% permanece em vigor por enquanto.
A expiração do projeto de lei geral, portanto, preservou tanto a taxa de retenção do JCP em 15% quanto o imposto sobre jogos em 12%. Profissionais de tributação agora esperam que o governo reexamine o tema em um futuro projeto de lei, mas qualquer nova proposta provavelmente exigirá apoio renovado do Congresso e aviso prévio aos contribuintes.
03
SELECIONE AGORA O MELHOR REGIME TRIBUTÁRIO PARA 2026
À medida que o final do ano se aproxima, as empresas brasileiras devem definir seu regime de imposto corporativo para 2026 — seja Lucro Real ou Lucro Presumido — com base em seu orçamento e projeções de receita para 2026. Essa decisão anual é estratégica: afeta diretamente a carga tributária, os custos de conformidade e o fluxo de caixa ao longo do ano.
2
Principais Opções de Regime Tributário
Julho de 2026
Data de Início da Reforma Tributária
Anual
Frequência de Seleção de Regime
Embora a reforma tributária do Brasil comece a vigorar em julho de 2026, ela não altera os critérios para a escolha entre esses dois regimes de tributação sobre o lucro em 2026. As empresas devem, portanto, fazer sua escolha de acordo com as regras atuais, avaliando margens, custos e despesas dedutíveis.
BPC Partners recomenda fortemente que as empresas realizem simulações comparativas antes de dezembro para identificar a opção mais vantajosa. Uma análise cuidadosa agora pode gerar economias significativas e evitar exposições fiscais inesperadas no próximo ano. Nossa equipe de Consultoria Fiscal está disponível para ajudá-lo a definir a estrutura mais eficiente para sua empresa em 2026.
04
BRASIL 2025–2026: INFLAÇÃO, AJUSTE SALARIAL E AUMENTO DOS CUSTOS TRABALHISTAS
A perspectiva macroeconômica do Brasil para 2025-2026 permanece estável, mas exigente para os empregadores. A inflação está projetada em cerca de 5,7% em 2025, enquanto o salário mínimo federal deve aumentar aproximadamente 7,5%, de R$ 1.518 para R$ 1.631 em janeiro de 2026. Esse aumento real, acima da inflação, reflete a política do governo de preservar o poder de compra e apoiar o consumo.
5.7%
Projeção de Inflação 2025
7.5%
Aumento do Salário Mínimo
5.8%
Taxa de Desemprego (T2 2025)
Para as empresas, isso significa um maior ônus na folha de pagamento: a taxa horária base aumentará de aproximadamente R$ 6,90 para R$ 7,45, antes de incluir benefícios e impostos. No entanto, para empresas de consultoria financeira e serviços profissionais, o custo real do trabalho deve crescer bem acima de 7,5%, impulsionado pela inflação salarial para profissionais qualificados, aumento da complexidade de conformidade e cargas de trabalho aumentadas ligadas à reforma tributária do Brasil a partir de janeiro de 2026. O cenário laboral continua apertado: a taxa de desemprego nacional caiu para 5,8% no segundo trimestre de 2025, a mais baixa já registrada. Como resultado, empresas de consultoria e contabilidade enfrentarão forte pressão ascendente sobre sua base de custos — um fator que deve ser antecipado nas estratégias de orçamento e precificação para 2026.
Comparação Salarial 2025-2026
| Métrica |
2025 |
2026 |
| Salário Mínimo |
R$ 1.518 |
R$ 1.631 |
| Taxa Horária Base |
R$ 6,90 |
R$ 7,45 |
05
BRASIL ADOTARÁ NOVO SISTEMA ALFANUMÉRICO DE CNPJ A PARTIR DE 2026
A partir de janeiro de 2026, o Brasil implementará uma modernização significativa em seu sistema de registro de contribuintes corporativos (CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). O atual CNPJ, um código numérico de 14 dígitos usado para identificar de forma única as entidades legais, será gradualmente substituído por um novo formato alfanumérico. Essa mudança faz parte de uma agenda mais ampla de transformação digital liderada pela Receita Federal, visando aumentar a flexibilidade, reduzir riscos de fraude e expandir a capacidade do sistema para acomodar o crescente número de entidades registradas. Com mais de 50 milhões de entidades já registradas, o formato puramente numérico de 14 dígitos está se aproximando de seu limite prático. A introdução de letras garante que o Brasil possa gerar um conjunto muito maior de identificadores únicos nas próximas décadas.
50M+
Entidades Já Registradas
14 Dígitos
Formato Numérico Atual
Jan 2026
Data de Início da Implementação
A Receita Federal confirmou que a nova estrutura combinará números e letras, mantendo ainda uma sequência de comprimento fixo para garantir consistência entre os sistemas. A partir de 2026, todas as empresas recém-criadas receberão automaticamente um CNPJ alfanumérico. As empresas existentes manterão seus CNPJs numéricos, mas uma transição de sistema dual é esperada, com migração gradual para o novo formato. Certificados digitais, notas fiscais (NF-e), relatórios SPED e declarações fiscais serão adaptados para aceitar os novos identificadores.
Requisitos do Sistema
- ERPs, plataformas contábeis, sistemas de faturamento e software de folha de pagamento precisarão ser atualizados para processar o formato alfanumérico do CNPJ.
- Instituições financeiras, fornecedores e prestadores de serviços adaptarão seus bancos de dados e rotinas de conformidade para aceitar o novo formato.
A introdução do CNPJ alfanumérico em 2026 representa uma das mudanças estruturais mais importantes na administração tributária corporativa do Brasil em décadas. Embora exija uma adaptação significativa por parte das empresas e prestadores de serviços, espera-se que a mudança modernize o sistema de registro do país, expanda sua capacidade e fortaleça sua segurança digital.