A incerteza em torno da fase de testes da reforma tributária do Brasil está colocando as empresas em alerta máximo.
Com apenas nove meses restantes antes do início do período de teste, as empresas estão se tornando cada vez mais ansiosas, segundo especialistas. A questão central é a falta de informações críticas necessárias para desenvolver sistemas capazes de lidar com os novos impostos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — um processo que normalmente requer pelo menos seis meses de preparação. Isso é atualmente visto como o gargalo mais urgente a curto prazo. A Receita Federal afirmou que o cronograma está em suas etapas finais e será publicado em breve.
Agravando a incerteza, está o fato de que o Comitê de Gestão do IBS ainda não foi criado. Este órgão será responsável por emitir o marco regulatório detalhando como o novo imposto funcionará.
Da mesma forma, a Receita Federal será encarregada de fornecer regulamentações para a CBS. Em um comunicado, a autoridade fiscal disse que está realizando reuniões preparatórias com associações de empresas de software e especialistas para entender melhor as necessidades tanto dos contribuintes quanto dos prestadores de serviços de TI e contabilidade, observando que documentos de orientação técnica estão sendo preparados e divulgados.
Desafios do Sistema ERP
- Sistemas ERP precisam de reconfiguração para novas regras fiscais
- Desenvolvedores carecem de especificações detalhadas da SERPRO
- Restrições da empresa estatal de processamento de dados
- Exigência de um cronograma de preparação de seis meses
Um grande desafio nesta fase envolve os desenvolvedores de software ERP (Planejamento de Recursos Empresariais). Esses sistemas precisarão ser reconfigurados para cumprir as novas regras fiscais, mas os desenvolvedores atualmente carecem das especificações detalhadas exigidas da SERPRO, a empresa estatal de processamento de dados. Quando contatada, a SERPRO explicou que não divulga informações sobre projetos de clientes sem consentimento, e neste caso, a Receita Federal é o cliente.
Outra preocupação importante é a necessidade de definir completamente a legislação, uma tarefa que cabe tanto ao Comitê de Gestão do IBS quanto à Receita Federal. Essa lacuna de informações gerou mais incertezas entre as empresas, especialmente em relação a como certas questões tributárias serão interpretadas. Por exemplo, empresas e especialistas em tributos estão acompanhando de perto como o IBS interagirá com os impostos que está prestes a substituir — o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o ISS (Imposto sobre Serviços) — durante o período de transição.
Conforme relatado pelo Valor na semana passada, empresas de consultoria tributária identificaram potenciais disputas legais devido à inclusão temporária do IBS na base de cálculo do ICMS e do ISS. Pelo menos uma medida na Câmara dos Deputados aborda essa questão: o Projeto de Lei Complementar (PLP) 16/2025, apresentado pelo deputado Gilson Marques, que busca excluir tanto o IBS quanto o CBS da base de cálculo de outros tributos.
A Câmara dos Deputados ainda está revisando o projeto que definirá como o Comitê de Gestão do IBS irá operar. Uma vez estabelecido, o comitê estará autorizado a lançar licitações, assinar contratos e tomar todas as medidas necessárias para desenvolver, testar e implementar os sistemas, controles, relatórios fiscais e documentos fiscais exigidos para o novo modelo tributário. Para muitos, o cronograma parece inviável.
"Apesar disso, uma quantidade substancial de preparação ainda permanece dentro de um prazo comprimido. Como alertam os especialistas, aprovar a lei de reforma tributária no Congresso é apenas o começo — o verdadeiro trabalho está apenas começando."