CAPÍTULO 7
Avaliação de Estoques – Aspectos Contábeis e Fiscais
VISÃO GERAL
A avaliação adequada de estoques, especialmente de bens vendidos, é fundamental para o cálculo correto do lucro contábil e fiscal. De fato, essa diferença entre receita e custo de bens resulta na margem bruta.
EMPRESA INDUSTRIAL
Em uma empresa industrial, os estoques consistem no seguinte:
- Matérias-primas, embalagens e outros materiais
- incorporados ao produto acabado,
- Produtos “em processo”,
- Produtos acabados prontos para venda,
- Subprodutos comercializáveis.
Determinação do custo de produção de produtos acabados:
O custo total de fabricação é a soma dos insumos utilizados para fabricar o produto acabado. As regulamentações fiscais e os princípios contábeis exigem que todas as despesas incorridas durante o período de produção sejam registradas como custos de produção de bens acabados ou produtos “em processo”. Em resumo, esses são o custo de compra das matérias-primas até a entrega, (ou seja, incluindo frete, seguro, desembaraço aduaneiro, etc...) salários, encargos sociais e outras contribuições de benefícios para a equipe, e custos de produção “indiretos”.
As regulamentações definem os custos de matérias-primas e mão de obra como custos diretos.
Outros custos considerados como custos “indiretos” de produção são:
- Depreciação de ativos utilizados no processo de produção,
- Serviços auxiliares como departamentos contábeis, compras, logística, RH, segurança, limpeza e manutenção de equipamentos, etc...
- Custo do seguro contra incêndio para a planta de produção,
- Despesas com utilidades como eletricidade, água, gás, telefone, fax, etc...
- Amortização de software utilizado no processo de produção.
NECESSIDADE DE UM SISTEMA DE GESTÃO DE CUSTOS
O estabelecimento de um sistema para o cálculo preciso dos custos de produção de bens e serviços atende a três requisitos.
a) Conformidade com a Lei das empresas PLC:
A Lei nº 6404, conhecida como Lei das Sociedades por Ações, mas também aplicável a outros tipos de empresas, exige que os lançamentos contábeis sejam feitos de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos no Brasil.
No entanto, o método de cálculo dos custos de produção que respeita esses princípios contábeis é o chamado "por absorção". Sob esse método, todos os custos de produção, diretos e indiretos, devem ser incluídos no custo dos produtos acabados.
b) Conformidade com a Legislação Tributária:
A legislação tributária brasileira exige que a empresa mantenha um sistema integrado de gestão de custos, vinculado ao livro razão. Isso requer uma formalização da contabilidade de custos por:
- Um sistema de análise de custos,
- Classificação e contabilidade,
- Geração de informações e edição de relatórios gerenciais sobre custos de produção.
c) Atendendo às necessidades da gestão:
A introdução da contabilidade de custos, que visa fornecer à gestão as informações necessárias para controlar a atividade – incluindo o monitoramento das margens de lucro – é fundamental para o sucesso de qualquer negócio. Com tal sistema, a questão não é cumprir os princípios contábeis locais ou as restrições fiscais, mas trazer à gestão informações confiáveis e relevantes.
O cálculo dos custos deve ser apoiado por dados da contabilidade geral e deve permitir o cálculo mensal do valor dos estoques.
No cálculo do imposto de renda e das contribuições sociais, o único método aceito para calcular os custos de produção é o método "por absorção".
Na ausência do sistema integrado de cálculo de custos "por absorção", as autoridades fiscais podem fazer uma avaliação arbitrária dos estoques de produtos acabados e em processo.
IMPACTO DO ICMS E IPI NOS CUSTOS DE PRODUÇÃO E VALORAÇÃO DOS ESTOQUES
De modo geral, impostos não cumulativos que podem ser recuperados não devem ser incluídos no custo das mercadorias ou matérias-primas adquiridas.
Exemplo de um negócio de comércio – ICMS recuperável:
Uma empresa de comércio adquire mercadorias por 1.000.000 R$, incluindo 180.000 R$ de ICMS, além de 100.000 R$ de IPI (10%).
Registro da Compra:
ATIVOS
Mercadorias para revenda: 920.000
ICMS recuperável: 180.000
PASSIVOS CIRCULANTES
Fornecedores: 1.100.000
O ICMS não é incluído no custo das mercadorias e pode ser recuperado ou compensado com o ICMS devido nas vendas.
Nas empresas de comércio, de acordo com a ilustração acima, o valor do IPI inclui o custo de aquisição de mercadorias, pois o IPI não é devido na revenda de mercadorias.
Exemplo de uma empresa industrial – ICMS e IPI recuperável:
Uma empresa industrial adquire matéria-prima por 1.000.000 R$, incluindo 180.000 R$ de ICMS, além de 100.000 R$ de IPI (10%).
Registro da venda:
ATIVOS
Estoques de matérias-primas: 820.000
ICMS recuperável: 180.000
IPI recuperável: 100.000
PASSIVOS CIRCULANTES
Fornecedores: 1.100.000
Aqui, nem o IPI nem o ICMS integram o custo contábil das matérias-primas, pois esses dois impostos podem ser recuperados ou compensados com o ICMS e o IPI recolhidos nas vendas.
REGULAMENTAÇÕES FISCAIS PARA O CÁLCULO DO VALOR DOS ESTOQUES DE PRODUTOS ACABADOS E EM PROCESSO
MOVIMENTAÇÃO DE ESTOQUES
As regulamentações brasileiras permitem o uso do custo médio ou do método Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair (FIFO) para avaliar o valor dos estoques. O método Último a Entrar, Primeiro a Sair (LIFO) não é aceito. AVALIAÇÃO DE PRODUTOS "ENTRANTES"
Existem dois métodos de avaliação de estoques:
- O método do custo real por absorção,
- O método de imposto por valor fixo.
Com o método do custo real "por absorção", o custo de produção deve incluir:
- o custo das matérias-primas, embalagens e outros produtos consumidos no processo de fabricação,
- o custo da mão de obra utilizada – salários e benefícios – incluindo aqueles relacionados à supervisão, manuseio e segurança do local de produção,
- custos de aluguel, despesas de manutenção e a depreciação de ativos utilizados no processo de produção,
- a amortização de ativos diretamente utilizados no processo de produção, como softwares dedicados.
O método de imposto por valor fixo:
Para produtos acabados: com este método, o custo de produção de produtos acabados será estimado em 70% do preço máximo de venda aplicado durante o ano fiscal.
Para estoques de bens em processo: o contribuinte pode optar por avaliar o valor dos bens em processo, seja com base no custo das matérias-primas adquiridas, ou com base nos preços de mercado dos produtos acabados:
- o custo dos bens em processo deve ser igual a 1,5 vezes o custo máximo das matérias-primas adquiridas durante o ano, ou,
- o custo dos bens em processo deve ser igual a 80% do valor dos produtos acabados. Como o valor dos produtos acabados é estimado em 70% do preço de venda, o custo em processo será de 56% (ou seja, 80% de 70%) do preço de venda máximo do período.
ESTOQUE
A Receita Federal do Brasil exige que todas as empresas que utilizam o método 'Real' de cálculo de lucro realizem um inventário físico. Se houver um inventário permanente, a contagem física pode ser feita a qualquer momento durante o ano. Se, no entanto, não houver um inventário permanente, essa contagem deve ser realizada no final do ano.